Publicado originalmente em 12/02/2009, no blog da Triton
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A roupa existe para proteger, esconder e enfeitar. É vestida sobre os corpos humanos para combater o frio (por isso precisa ser resistente), para estar a serviço do pudor e também da ornamentação. E é duradoura, por mais que a moda insista em dar-lhe sobrevida de seis meses.
Já o papel é perecível, frágil, quase imediato. Absolutamente vulnerável à água e a cortes, desfaz-se ao menor esforço. Não serve, portanto, como vestimenta. Pelo menos para o uso prático e cotidiano dela. Mas enquanto mensagem, é bem mais forte que muito tecido por aí.
Jum Nakao apresentou sua costura do invisível nas passarelas da São Paulo Fashion Week em junho de 2004. Foi seu último desfile enquanto marca. Último, definitivo e histórico. Após vestirem modelos elaboradíssimos feitos todos em papel, as modelos entraram ao final da apresentação e, postas às câmeras, começaram a rasgar toda aquela beleza, todo aquele minucioso trabalho de 6 meses, que deixava de existir em menos de 30 segundos. Todo mundo que viu se emocionou e entendeu. O recado estava dado e Jum poderia, enfim, se retirar, tendo cumprido o que se propôs – (re)afirmar que tudo na vida é, realmente, efêmero e que a beleza subsiste em si e não no objeto que a carrega, afinal não é porque as roupas (e o momento) não existem mais que elas deixaram de ser belas no imaginário de quem teve o prazer de as contemplar.

Um pouco menos dramático e filosófico veio karl Lagerfeld no desfile de alta-costura primavera 2009 pela Chanel. Com chapéus de papel confeccionados por Katsuyo Kamo, Lafgerfeld não se rebela mas (e)leva à cabeça a fragilidade de nossas paixões e nossas certezas, pois o papel é tão incerto para a roupa como o amor é para os homens (quem foi que disse, alíás, que chapéus e amor precisam ser eternos?).

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Pra aprender e levar pra vida toda: a beleza não está, em absoluto, na eternidade. Ela está em si, assim como eu e você.
Sejamos belos, então.
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