Publicado originalmente em 23/12/2008, no Avesso do Espelho
…
MISS DIOR CHÉRIE
Porque toda menina é ‘Miss’ e, sendo assim, é nome e protagonista de saudade.
…
Publicado originalmente em 23/12/2008, no Avesso do Espelho
…
MISS DIOR CHÉRIE
Porque toda menina é ‘Miss’ e, sendo assim, é nome e protagonista de saudade.
…
Publicado originalmente em 21/11/2008, no Avesso do Espelho
…

A balança da moda é de toda cravejada de cristais swarovskis e por isso pesa – e ofusca – um pouco mais. E o Pense Moda não se safou deste excesso de contingente carregado de brilho.
Se enquanto no palco italiano do Centro Brasileiro Britânico o excedente excedia à sua própria luz, na platéia a realidade era bem outra. Não sei se pelo preço (R$ 800,00 o pacote de três dias) ou se pela falta de educação da cultura de moda brasileira em ‘pensar moda’ (e não somente acontecê-la em festas pós-desfiles), os espectadores – e potenciais questionadores – reduziram-se a um pequeno número.
Este fato em nada atrapalha ou coloca em cheque a iniciativa de Cami Yahn, Babu Bicudo e Marcelo Jabur, gente que olha em frente e à frente para organizar e realizar um evento deste porte. Entretanto o restrito público presente já se coloca como o primeiro índice de moda a ser pensado e discutido.
Quanto ao discurso “X” ou “Y” de determinado palestrante, ok, eles estão lá em cima justamente para discutir e argumentar seus pontos de vista sobre o assunto em pauta – o que não justifica seu descaso com certas perguntas e atitudes vindas da platéia. Quem é convidado a debater, deduz-se, o é porque tem algo a acrescentar – a quem quer que seja. Pré-conceitos não são, em absoluto, bem vindos. Pontuando nomes (até porque foi fato e não invenção de ninguém), ouvir Daniela Falcão, editora da Vogue Brasil, devolver à Priscila (moradora do Jardim Ângela que foi convidada pelo organizadores do evento para assistir a todas as palestras e não se intimidou com nenhuma bolsa Marc Jacobs, participando ativamente das discussões) que não entendia o que ela queria dizer com ‘moda popular’ foi esquisito (tá, a Vogue não tem por perfil de consumidor nada que a vincule ao popular, mas até aí Daniela não entender a colocação do termo me parece um tanto quanto descabido).
De resto, se a Osklen é ou não um ‘case de sucesso’ no Brasil (assunto que rendeu comentários em várias mesas e me deixou intrigada com o alcance conquistado, senão por ela, a Osklen, mas por Oskar, “viril garoto propaganda de sua própria marca”), se o homem brasileiro usaria paletó com bermuda ou se fazemos ‘moda brasileira’ somente pelo simples fato de residirmos neste país dos trópicos, isso são assuntos em pauta e a cada um cabe a sua opinião. O que se faz prerrogativa indispensável é um tópico discutido na mesa de blogues a respeito de seus redatores – a responsabilidade de cada colocação. Se um blogueiro deve ser responsável por tudo aquilo que publica, não deverá ser diferente, com qualquer profissional que participe de uma mesa de debates, a mesma postura. E Daniela Falcão foi, sim, insensível.
Por fim, o que de mais saliente podemos afirmar desta segunda edição do Pense Moda é que ele próprio foi o maior assunto colocado em discussão – o que na balança cravejada, me parece uma excelente medida de conclusão.
…
Publicado originalmente em 19/11/2008, no Oficina de Estilo
…
A última mesa do dia de ontem no Pense Moda discutiu, com feminilidade, a inserção de uma marca no mercado de moda sem a realização de desfiles para o lançamento de suas idéias e propostas de coleções num grande evento de divulgação e exposição de mídia. As estilistas Andrea Marques (ex-Maria Bonita Extra), Cecilia Prado, Carina Duek e Carol Gannon (D’Arouche), mediadas por Lilian Pacce, expuseram suas experiências e conclusões.
Carol pontuou que o foco e a energia que se põe num desfile, em uma marca pequena, muitas vezes contrasta com sua capacidade produtiva e de venda. Carina acrescentou que sem desfilar consegue redirecionar seus gastos em investimentos e Andrea ressaltou que não desfilando sobra mais tempo (e cabeça, e dinheiro!) para se preocupar com os produtos que realmente irão vender. Como ela disse, a produção e a agilidade na distribuição são fatores de fundamental importância para o fortalecimento de uma marca pequena, muito mais que um desfile. Mailing, assessoria de imprensa, movimentação do cliente dentro da loja (como lançamentos e acessibilidade ao próprio estilista) e um consistente espaço dentro da internet são algumas das medidas utilizadas pelas estilistas para suprirem a falta de exposição gerada pela ausência de uma apresentação em passarela. O desfile é um sonho de qualquer recém-formado, lembrou Carina, mas nem sempre é sua melhor opção.
Sim, a questão da inserção de uma marca numa semana de moda é de extrema relevância, pois são elas, as semanas de moda, as maiores responsáveis pela projeção de mídia e de mercado de uma marca. Entretanto, antes de se discutir um desfile, deve-se primeiro discutir as reais condições de colocação de uma pequena marca dentro das relações comerciais. Quando se é pequeno não existem fornecedores dispostos a trabalhar com produções reduzidas – e quando existem, o valor cobrado por esta quantidade inferior é significativamente mais alto. Como sempre, os que podem menos pagam mais. Dessa forma, se produzir já é muito mais difícil, parece lógico e de bom senso que o desfile não seja, pelo menos por hora, uma alternativa. Como bem disse Carina, “sucesso é quando está todo mundo (te) usando”. Ou seja, o sucesso de uma marca não está em cima de uma passarela – está no volume de sua caixa-registradora.
…
Publicado originalmente em 17/11/2008, no Oficina da Estilo
…
“A questão da identidade brasileira é colocada pelos criadores e pensadores de moda, mas não se reflete nas ruas, que já têm um estilo colocado, efetivo”. Foi assim que Alcino Leite Neto, editor de Moda da Folha de São Paulo, encerrou (E AO MESMO TEMPO CRITICOU!) o tema debatido por Gloria Kalil (consultora e jornalista de moda), Heitor Dhália (cineasta), Marcio Kogan (arquiteto) e Valdick Jatobá (diretor do Banco Privado Português e colecionador de arte) sobre a questão da identidade brasileira nas expressões artísticas.
Glória Kalil discutiu a questão com pontos de vista bem interessantes: ser brasileiro pode ser uma condição tanto vantajosa quanto restritiva, pois se nos beneficiamos da simpática imagem externa de que somos livres, acolhedores e sensuais, ao mesmo tempo estamos fadados a uma estética de verão eterno (não é?!). O produto brasileiro, analisado individualmente, não carrega tanta força – é o estilo de vida de nosso país o que realmente vende (aquela velha história do samba, carnaval e futebol). No Brasil, como ressaltou Gloria, não existem marcas de moda realmente representativas (as que mais se aproximam disso são Havaianas e H.Stern).
Gente, sendo assim, em que a moda no Brasil está, de fato, investindo?
Belgas e japoneses (países com estilistas super reconhecidos no mercado de moda internacional) desenvolveram uma estrutura com seus respectivos governos e levaram seus estilistas para desfilar no alto circuito da moda (Paris, Milão e Nova Iorque, por exemplo). Já o Brasil prioriza semanas de moda regionais em vez de seus criadores. Não que elas não sejam importantes, mas como pretende um país ser reconhecido por sua identidade na criação em moda se suas marcas e seus criadores não conseguem desenvolver uma estrutura mínima de planejamento, produção e distribuição? Assim como Heitor Dhália pontuou o problema para o cinema brasileiro, nossos produtos em moda (e nossos filmes, e nossa música, e nossa literatura) necessitam ultrapassar a fronteira nacional para que possam estabelecer um ‘debate’ com o mercado mundial. Um criador deve manifestar suas vontades em concordância com o desejo e a expectativa do público consumidor, afinal ninguém faz um filme, escreve um livro, compõe uma música ou costura uma roupa somente para si, néam?!??
Claro que o assunto é abrangente e não conseguiu se esgotar com esta discussão. Mas o debate foi ótimo para pensarmos sobre como estamos conduzindo nossa identidade e, consequentemente nossa indústria de moda. Ginga e potencial criativo nós temos de sobra, já sabemos. Não seria a hora, então, de reconsiderarmos as nossas questões para que, enfim, possamos amadurecer e vestir o mundo com a nossa roupagem ?
Já está mais do que na hora, não é mesmo?!
…
Publicado originalmente em 27/10/2008, no Radar Fashion da Capricho
…
Como o último episódio do Brazil`s Next Top Model mostrou as meninas fotografando maquiadas e vestidas como as mulheres das décadas passadas, agora é a nossa vez de eleger as celebridades que se inspiram nos anos que já foram.
Claro que elas não se vestem o tempo todo assim, mas vira e mexe aparecem com roupinhas que lembram em muito as das mulheres dos anos 20, 30, 40, 50, 60, 70 e 80.
ANOS 20

Katie Holmes com os cabelos curtos à la Chanel + vestidos sequinhos para baixo do joelho + colar compridão + chapéu tipo cloche ficou super a cara dos anos 20.
…
ANOS 30

Keira Knightley é lânguida e esguia exatamente como as mulheres dos anos 30. Além disso, seus vestidos compridões e molengões com um suuuuper decote nas costas fazem dela a celebridade atual que é o exemplo perfeito dessa época.
…
ANOS 40

Christina Aguilera, com seus cabelos loiros e ondulados à la Rita Hayworth + decotes avantajados + caras e bocas, representa perfeitamente o glamour holywoodiano das mulheres dos anos 40 e a sensualidade do público feminino que frequentava os grandes salões de baile da época (um contraste muito forte com as roupas usadas durante o dia neste mesmo período, que devido à guerra eram mais fechadas e com influência militar).

Scarlett Johansson também faz parte deste mesmo time, como seus decotes e cabelos não deixam mentir.
…
ANOS 50

Katy Perry é a representante perfeita das pin-ups (típicas dos anos 50) com seus micro-micro-shorts, seus sapatos de salto e sua cinturinha de pilão bem marcada.

Lily Allen também é adepta da década, mas diferentemente de katy Perry, prefere a feminilidade dos vestidinhos mais comportados logo abaixo do joelho, no maior estilo new look.

Amy Winehouse é outra que faz referência explícita anos 50 no seu jeito de se vestir, mas não remete nem às pin-ups nem ao new look – faz bem a linha das menininhas roqueiras da época, daquelas que usavam calça cigarrete, tomavam milk shake, ouviam rock n`roll e namoravam os bad boys. A cara dela!
…
ANOS 60

Com seus cabelos bem curtinhos e seus vestidos também bem curtos e justos, Victoria Beckham faz o maior estilo anos 60 de ser.
…
ANOS 70

Joss Stone adora fazer a linha da típica garota “paz e amor” dos anos 70 com seus cabelos compridos e suas saias longas floridas. Vale até um lencinho amarrado na cintura como cinto. Mais flower power impossível!

Lauryn Hill, por sua vez, fica a cara de uma diva do soul vinda diretamente dos anos 70 quando resolve fazer uso de seu black power. Se ela não tivesse nascido em 1975 eu podia jurar que essas fotos são daquela época.
…
ANOS 80

M.I.A, que nasceu na mesma época que Laurin Hill (1979), em nada se parece com os anos 70. Sua inspiração é explícita nas cores flúor, nas camisetas usadas com cintos sobrepostos, nas leggings estampadas, nos maiôs e nos cabelos armados dos anos 80. E com direito a truque de styling: repara só no maiô (estampado, claro) usado sozinho por baixo de um casaco de pele e ao mesmo tempo usado por cima de uma camiseta! Praticamente um túnel do tempo.
…
Publicado originalmente em 24/10/2008, no Radar Fashion da Capricho
…
Cada época ficou conhecida por expressar um perfil de mulher (tipo a tendência geral da década) e o Brazil’s Next Top Model, sabendo disso, trouxe suas meninas reinterpretadas de mulheres das décadas passadas num dos editoriais mais lindos do programa até agora, com uma produção de styling maravilhosa e make incrível do maquiador Lavoisier:
Élly representou a mulher dos anos 20, livre e feminista. A dançarina Josephine Baker foi sua inspiração e ela ficou perfeita no papel!!!!!

(Élly e Josephine Baker)
…
Marianna fotografou como uma mulher dos anos 30, madura e sedutora e lembrou, em muito, a atriz Vivien Leigh, que fez “E o Vento Levou”. Como sempre, sua carinha de menininha não deixou que ela fosse muito além em suas poses.

(Marianna e Vivien Leigh)
…
Priscila encarnou os anos 40 e a mulher de imagem forte deste período (o pós-guerra). A referência à atriz Rita Hayworth foi explícita e ela fez seu editorial mais bonito no programa até hoje. Arrasou!

(Priscila e Rita Hayworth)
…
Alinne resgatou a feminilidade glamurosa e jovial da mulher dos anos 50 (que tem em Audrey Hepburn seu melhor exemplo) e mesmo sendo uma das preferidas a ganhar o BrNTM desde o início, não segurou a pose e foi a eliminada da semana. Inesperado…

(Alinne e Audrey Hepburn)
…
Maíra reinterpretou a explosão de juventude da mulher dos anos 60 dando pulinhos para as câmeras exatamente como costumava fazer a modelo mais famosa da época – Twiggy. Mesmo os jurados gostando da foto, eu, particularmente, achei o rosto dela bem feio.

(Maíra e Twiggy)
…
Daýse ficou incrível como uma típica garota black power cheia de ginga da década de 70 e sua foto saiu bem parecida com fotos de divulgação de cantoras da época. Érika Palomino achou isso ruim, mas eu adorei, pois se o próprio programa pediu pra Élly se inspirar na dançarina Josephine Baker e para a Malana se inspirar na cantora Grace Jones, qual o problema de Daýse parecer uma cantora? Ela ficou super Diana Ross!

(Daýse e Diana Ross)
…
Malana foi a garota de maquiagens extravagantes, brincos ultra-coloridos e grandes ombreiras típica dos anos 80 e sua referência foi a modelo, cantora e atriz jamaicana Grace Jones. Não foi o melhor episódio para ela que, pela primeira vez, experimentou o gosto amargo de estar na berlinda (vamos ver se assim ela abaixa um pouquinho seu nariz, que anda bem empinado!)

(Malana e Grace Jones)
…
E então, já descobriram que celebridades de hoje se vestem parecidas com mulheres de algumas décadas passadas?
…
Publicado originalmente em 10/10/2008, no Avesso do Espelho
…
Nunca entendi muito bem porque a tal da meia-idade foi estipulada em 50 anos se quando de sua invenção a taxa de mortalidade esbarrava nos 78.
Já em dias de hoje uma pessoa senta e se encosta nos 100, então o termo me parece um pouco mais adequado. Ao passo em que se tornou, paradoxalmente, tão antigo.
Aos 50 tem muita mulher esbanjando mais músculos e menos celulites do que eu, de 27, e a idade praticamente sussura “al dente’ ou ‘just in time’ em vez de “tô passada”.
Já os 25…
Sem sacanagem, 25 anos soa muito mais propício a uma crise do que 50. Sim, porque hoje aos 50 você bem pode ter uma ‘áurea’ de 25, mas certamente com 25 não pode ter a conta bancária dos 50.
(Celebridades, modelos, políticos e afins não são sujeitos desta estatística, que fique bem claro).
Vinte e cinco é metade de 50 e se cinqüenta é a meia-idade de 100, 25 é a metade da meia-idade. Por outro lado, como já explicou certa vez a matemática, os valores inversamente proporcionais são fato. Logo, se na meia-idade você é passivo de uma crise, na metade dela (da meia-idade), os números proporcionais ao inverso lhe garantem o dobro desta uma crise. Assim sendo, aos 25 a crise vem ao quadrado.
Até creme anti-rugas para as de vinte-e-cinco já existe no mercado, antes mesmo que elas possam se dar ao luxo de pagar por eles. Tipo: “nós, o mercado, massacramos tanto você com a consolidação profissional feminina, com a competitividade inter-sexual, com a cobrança de que seja linda, carinhosa, habilidosa, boa mãe, boa amante, boa esposa, boa profissional, boa faxineira, garota-jovem-senhora de 25 anos, que elas, as rugas que tanto exigimos que não as tenham, já as descobriram e agora entram na lista de mais uma de suas preocupações. Desta forma você precisa, hoje, garota-jovem-senhora, aos 25, de um creme anti-idade para que quando esta, a idade, natural e inevitavelmente lhe chegar, você possa ser uma 50 com cara de sua metade. Assim você age aos 25 como se tivesse 50 e aos cinqüenta como se tivesse 25. R$ 95,00 o pote”.
Mais ou menos por aí vai a coisa. Na confusão inclusive.
Nesta hora o meu ‘eu’ implícito e escancarado deste texto inspira, pede o poder da palavra e pergunta: “tá, já entendi qual é a do vinteecinco… mas e os 27?”
Meu outro ‘eu’, o explícito e timidamente sugerido deste texto, funga e se esforça: “se 25 é a metade da crise da meia-idade ao quadrado e os 50 são os novos 25, então 37,5 é a metade que separa o ruim do melhor. Vinte-e-sete, portanto, é o início do ‘antes de melhorar, piora’.”
——————
E COMO A MATEMÁTICA, EU PROVO:
…